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#36713
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Polícia Civil-DF
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(1,0)

Nas alternativas a seguir , são apresentados trechos de texto adaptado de . Assinale a alternativa que apresenta trecho gramaticalmente correto.

#36712
Concurso
Polícia Civil-DF
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Português
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(1,0)

A Constituição Federal de 1988 municiou a

sociedade de garantias de acesso a informações públicas

ou privadas, que assegurem o controle social, inclusive,

dotando o cidadão de meios de denunciar a existência de

irregularidades de que detenha conhecimento. Tal direito

encontra-se expressamente disposto no art. 74, parágrafo

segundo, da Constituição:

Art. 74

§ 2.° Qualquer cidadão, partido político,

associação ou sindicato é parte legítima

para, na forma da lei, denunciar

irregularidades perante o Tribunal de Contas

da União.

Adentrando no tema controle de Administração

Pública propriamente, podemos dizer que o controle

interno pode ser entendido como o autocontrole (ou

autotutela), ou seja, aquele exercido pelo próprio Poder

Público, em sua esfera administrativa, com vistas a

disciplinar rotinas e evidenciar procedimentos ilegais ou

ilegítimos.

O controle externo do Poder Executivo, no Brasil, é

exercido pelo Poder Legislativo e tem o objetivo de

comprovar a probidade na administração de bens e

recursos públicos, ou seja, no exercício do controle

externo, fiscaliza-se a arrecadação, a guarda e a aplicação

de tais recursos, e ainda, a conservação do patrimônio.

Esse é sem sombra de dúvidas um controle político. O

controle técnico, sob os pontos de vista da legalidade

contábil e financeira, fica a cargo dos Tribunais de Contas.

De um modo geral, o controle tem um sentido

amplo, engloba a fiscalização, a programação, a alocação e

 

 

 

o dispêndio de recursos públicos.

 

No que se refere aos aspectos linguísticos do texto, assinale a alternativa correta.

#36711
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(1,0)

É evidente que o comportamento ético humano tem

um grau de elaboração e complexidade que o torna

distintamente humano e não apenas uma cópia daquilo

que outras espécies têm ao seu dispor. As regras da ética

criam obrigações especificamente humanas para qualquer

indivíduo normal que as conheça, e, é claro, a codificação

das regras é exclusivamente humana. Quanto às narrativas

que se construíram em torno das situações e das regras,

são também exclusivamente humanas. No fundo não é

assim tão difícil conciliar a percepção de que uma parte da

nossa estrutura biológica e psicológica tem raízes não

humanas com a noção de que a nossa compreensão

profunda da condição humana confere a essas estruturas

uma dignidade única.

A construção a que chamamos ética deve ter

começado como um programa geral de regulação biológica.

O embrião dos comportamentos éticos deve ter sido mais

uma etapa na progressão que inclui os mecanismos não

conscientes e automatizados que nos permitem regular o

metabolismo, ter pulsões e motivações e sentimentos dos

mais diversos tipos. Não é difícil imaginar a emergência da

justiça e da honra a partir de práticas de cooperação. Um

aspecto particular das emoções sociais, aquele que se

exprime sob a forma de comportamento dominante ou

submisso no interior de um certo grupo, teria tido também

um papel importante nos processos de negociação que

definem a cooperatividade.

Para que não se pense que a evolução e a sua

bagagem de genes têm tido sempre um papel maravilhoso

e nos trouxeram todos esses magníficos dispositivos, é

hora de salientar que todas as emoções positivas de que

venho falando, e que o altruísmo a que me referi, dizem

respeito ao grupo. Em termos humanos, exemplos de

grupos incluem a família, a tribo, a cidade e a nação. Para

aqueles que estão fora do grupo, a história revolucionária

das reações emocionais é bem menos amável. As emoções

simpáticas podem muito facilmente tornar-se

desagradáveis e brutais quando são dirigidas para fora do

círculo a que naturalmente se destinam. O resultado é bem

sabido: raiva, ressentimento, violência, todas as reações

que facilmente reconhecemos como embriões possíveis dos

ódios tribais, do racismo e da guerra.

Esta é também a hora de recordar que os mais

recomendáveis comportamentos humanos não são

necessariamente impressos nos circuitos neurais sob o

controle do genoma. A história de nossa civilização é, de

certo modo, a história de uma tentativa de oferecer os

melhores dentre os nossos sentimentos morais a círculos

cada vez mais amplos da humanidade, para além das

restrições do grupo, de forma a abranger, eventualmente,

a humanidade inteira. É claro que estamos muito longe de

atingir esse ideal.

 

António Damásio. Em busca de Espinosa. São Paulo:Companhia das Letras, 2004 (com adaptações).

 

No texto, a palavra

#36710
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(1,0)

É evidente que o comportamento ético humano tem

um grau de elaboração e complexidade que o torna

distintamente humano e não apenas uma cópia daquilo

que outras espécies têm ao seu dispor. As regras da ética

criam obrigações especificamente humanas para qualquer

indivíduo normal que as conheça, e, é claro, a codificação

das regras é exclusivamente humana. Quanto às narrativas

que se construíram em torno das situações e das regras,

são também exclusivamente humanas. No fundo não é

assim tão difícil conciliar a percepção de que uma parte da

nossa estrutura biológica e psicológica tem raízes não

humanas com a noção de que a nossa compreensão

profunda da condição humana confere a essas estruturas

uma dignidade única.

A construção a que chamamos ética deve ter

começado como um programa geral de regulação biológica.

O embrião dos comportamentos éticos deve ter sido mais

uma etapa na progressão que inclui os mecanismos não

conscientes e automatizados que nos permitem regular o

metabolismo, ter pulsões e motivações e sentimentos dos

mais diversos tipos. Não é difícil imaginar a emergência da

justiça e da honra a partir de práticas de cooperação. Um

aspecto particular das emoções sociais, aquele que se

exprime sob a forma de comportamento dominante ou

submisso no interior de um certo grupo, teria tido também

um papel importante nos processos de negociação que

definem a cooperatividade.

Para que não se pense que a evolução e a sua

bagagem de genes têm tido sempre um papel maravilhoso

e nos trouxeram todos esses magníficos dispositivos, é

hora de salientar que todas as emoções positivas de que

venho falando, e que o altruísmo a que me referi, dizem

respeito ao grupo. Em termos humanos, exemplos de

grupos incluem a família, a tribo, a cidade e a nação. Para

aqueles que estão fora do grupo, a história revolucionária

das reações emocionais é bem menos amável. As emoções

simpáticas podem muito facilmente tornar-se

desagradáveis e brutais quando são dirigidas para fora do

círculo a que naturalmente se destinam. O resultado é bem

sabido: raiva, ressentimento, violência, todas as reações

que facilmente reconhecemos como embriões possíveis dos

ódios tribais, do racismo e da guerra.

Esta é também a hora de recordar que os mais

recomendáveis comportamentos humanos não são

necessariamente impressos nos circuitos neurais sob o

controle do genoma. A história de nossa civilização é, de

certo modo, a história de uma tentativa de oferecer os

melhores dentre os nossos sentimentos morais a círculos

cada vez mais amplos da humanidade, para além das

restrições do grupo, de forma a abranger, eventualmente,

a humanidade inteira. É claro que estamos muito longe de

atingir esse ideal.

 

António Damásio. Em busca de Espinosa. São Paulo:Companhia das Letras, 2004 (com adaptações).

 

Em relação aos aspectos linguísticos do texto, assinale a alternativa correta.

#36709
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(1,0)

É evidente que o comportamento ético humano tem

um grau de elaboração e complexidade que o torna

distintamente humano e não apenas uma cópia daquilo

que outras espécies têm ao seu dispor. As regras da ética

criam obrigações especificamente humanas para qualquer

indivíduo normal que as conheça, e, é claro, a codificação

das regras é exclusivamente humana. Quanto às narrativas

que se construíram em torno das situações e das regras,

são também exclusivamente humanas. No fundo não é

assim tão difícil conciliar a percepção de que uma parte da

nossa estrutura biológica e psicológica tem raízes não

humanas com a noção de que a nossa compreensão

profunda da condição humana confere a essas estruturas

uma dignidade única.

A construção a que chamamos ética deve ter

começado como um programa geral de regulação biológica.

O embrião dos comportamentos éticos deve ter sido mais

uma etapa na progressão que inclui os mecanismos não

conscientes e automatizados que nos permitem regular o

metabolismo, ter pulsões e motivações e sentimentos dos

mais diversos tipos. Não é difícil imaginar a emergência da

justiça e da honra a partir de práticas de cooperação. Um

aspecto particular das emoções sociais, aquele que se

exprime sob a forma de comportamento dominante ou

submisso no interior de um certo grupo, teria tido também

um papel importante nos processos de negociação que

definem a cooperatividade.

Para que não se pense que a evolução e a sua

bagagem de genes têm tido sempre um papel maravilhoso

e nos trouxeram todos esses magníficos dispositivos, é

hora de salientar que todas as emoções positivas de que

venho falando, e que o altruísmo a que me referi, dizem

respeito ao grupo. Em termos humanos, exemplos de

grupos incluem a família, a tribo, a cidade e a nação. Para

aqueles que estão fora do grupo, a história revolucionária

das reações emocionais é bem menos amável. As emoções

simpáticas podem muito facilmente tornar-se

desagradáveis e brutais quando são dirigidas para fora do

círculo a que naturalmente se destinam. O resultado é bem

sabido: raiva, ressentimento, violência, todas as reações

que facilmente reconhecemos como embriões possíveis dos

ódios tribais, do racismo e da guerra.

Esta é também a hora de recordar que os mais

recomendáveis comportamentos humanos não são

necessariamente impressos nos circuitos neurais sob o

controle do genoma. A história de nossa civilização é, de

certo modo, a história de uma tentativa de oferecer os

melhores dentre os nossos sentimentos morais a círculos

cada vez mais amplos da humanidade, para além das

restrições do grupo, de forma a abranger, eventualmente,

a humanidade inteira. É claro que estamos muito longe de

atingir esse ideal.

 

António Damásio. Em busca de Espinosa. São Paulo:Companhia das Letras, 2004 (com adaptações).

 

Em cada uma das alternativas a seguir, é apresentado um trecho do texto, seguido de uma proposta de reescrita. Assinale a alternativa que apresenta uma proposta de reescrita que mantém o sentido original e a correção gramatical do texto.

#36708
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(1,0)

É evidente que o comportamento ético humano tem

um grau de elaboração e complexidade que o torna

distintamente humano e não apenas uma cópia daquilo

que outras espécies têm ao seu dispor. As regras da ética

criam obrigações especificamente humanas para qualquer

indivíduo normal que as conheça, e, é claro, a codificação

das regras é exclusivamente humana. Quanto às narrativas

que se construíram em torno das situações e das regras,

são também exclusivamente humanas. No fundo não é

assim tão difícil conciliar a percepção de que uma parte da

nossa estrutura biológica e psicológica tem raízes não

humanas com a noção de que a nossa compreensão

profunda da condição humana confere a essas estruturas

uma dignidade única.

A construção a que chamamos ética deve ter

começado como um programa geral de regulação biológica.

O embrião dos comportamentos éticos deve ter sido mais

uma etapa na progressão que inclui os mecanismos não

conscientes e automatizados que nos permitem regular o

metabolismo, ter pulsões e motivações e sentimentos dos

mais diversos tipos. Não é difícil imaginar a emergência da

justiça e da honra a partir de práticas de cooperação. Um

aspecto particular das emoções sociais, aquele que se

exprime sob a forma de comportamento dominante ou

submisso no interior de um certo grupo, teria tido também

um papel importante nos processos de negociação que

definem a cooperatividade.

Para que não se pense que a evolução e a sua

bagagem de genes têm tido sempre um papel maravilhoso

e nos trouxeram todos esses magníficos dispositivos, é

hora de salientar que todas as emoções positivas de que

venho falando, e que o altruísmo a que me referi, dizem

respeito ao grupo. Em termos humanos, exemplos de

grupos incluem a família, a tribo, a cidade e a nação. Para

aqueles que estão fora do grupo, a história revolucionária

das reações emocionais é bem menos amável. As emoções

simpáticas podem muito facilmente tornar-se

desagradáveis e brutais quando são dirigidas para fora do

círculo a que naturalmente se destinam. O resultado é bem

sabido: raiva, ressentimento, violência, todas as reações

que facilmente reconhecemos como embriões possíveis dos

ódios tribais, do racismo e da guerra.

Esta é também a hora de recordar que os mais

recomendáveis comportamentos humanos não são

necessariamente impressos nos circuitos neurais sob o

controle do genoma. A história de nossa civilização é, de

certo modo, a história de uma tentativa de oferecer os

melhores dentre os nossos sentimentos morais a círculos

cada vez mais amplos da humanidade, para além das

restrições do grupo, de forma a abranger, eventualmente,

a humanidade inteira. É claro que estamos muito longe de

atingir esse ideal.

 

António Damásio. Em busca de Espinosa. São Paulo:Companhia das Letras, 2004 (com adaptações).

Acerca dos sentidos do texto, assinale a alternativa correta.

#36707
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Frei Simão era um frade da ordem dos Beneditinos.

Tinha, quando morreu, cinquenta anos em aparência, mas

na realidade trinta e oito. A causa dessa velhice prematura

derivava da que o levou ao claustro na idade de trinta

anos, e, tanto quanto se pode saber por uns fragmentos de

memórias que ele deixou, a causa era justa.

Era frei Simão de caráter taciturno e desconfiado.

Passava dias inteiros na sua cela, donde apenas saía na

hora do refeitório e dos ofícios divinos. Não contava

amizade alguma no convento, porque não era possível

entreter com ele os preliminares que fundam e consolidam

as afeições.

Em um convento, onde a comunhão das almas deve

ser mais pronta e mais profunda, frei Simão parecia fugir à

regra geral. Um dos noviços pôs-lhe alcunha de urso, que

ficou, mas só entre os noviços, bem entendido. Os frades

professores, esses, apesar do desgosto que o gênio

solitário de frei Simão lhes inspirava, sentiam por ele certo

respeito e admiração.

Um dia anuncia-se que frei Simão adoecera

gravemente. Chamaram-se os socorros e prestaram ao

enfermo todos os cuidados necessários. A moléstia era

mortal; depois de cinco dias frei Simão expirou.

Durante estes cinco dias de moléstia, a cela de frei

Simão esteve cheia de frades. Frei Simão não disse uma

palavra durante esses cinco dias; só no último, quando se

aproximava do minuto fatal, sentou-se no leito, fez

chamar-se mais perto o abade, e disse-lhe ao ouvido com

voz sufocada e em tom estranho:

— Morro odiando a humanidade!

O abade recuou até a parede ao ouvir estas

palavras, e no tom em que foram ditas. Quanto a frei

Simão, caiu sobre o travesseiro e passou à eternidade.

Depois de feitas ao irmão finado as honras que lhe

deviam, a comunidade perguntou ao seu chefe que

palavras ouvira tão sinistras que o assustaram. O abade

referiu-as persignando-se. Mas os frades não viram nessas

palavras senão um segredo do passado, sem dúvida

importante, mas não tal que pudesse lançar o terror no

espírito do abade. Este explicou-lhes a ideia que tivera

quando ouviu as palavras de frei Simão, no tom em que

foram ditas, e acompanhadas do olhar com que o

fulminou: acreditara que frei Simão tivesse doudo; mais

ainda, que tivesse entrado já doudo para a ordem. Os

hábitos da solidão e da taciturnidade a que se voltara o

frade pareciam sintomas de uma alienação mental de

caráter brando e pacífico; mas durante oito anos parecia

impossível aos frades que frei Simão não tivesse um dia

revelado de modo positivo a sua loucura; objetaram isso

ao abade, mas este persistia na sua crença.

 

 

 

Machado de Assis. Frei Simão. In: Contos Fluminenses.Rio de Janeiro: Globo, 1997.

Infere-se do texto que

#36706
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(1,0)

Frei Simão era um frade da ordem dos Beneditinos.

Tinha, quando morreu, cinquenta anos em aparência, mas

na realidade trinta e oito. A causa dessa velhice prematura

derivava da que o levou ao claustro na idade de trinta

anos, e, tanto quanto se pode saber por uns fragmentos de

memórias que ele deixou, a causa era justa.

Era frei Simão de caráter taciturno e desconfiado.

Passava dias inteiros na sua cela, donde apenas saía na

hora do refeitório e dos ofícios divinos. Não contava

amizade alguma no convento, porque não era possível

entreter com ele os preliminares que fundam e consolidam

as afeições.

Em um convento, onde a comunhão das almas deve

ser mais pronta e mais profunda, frei Simão parecia fugir à

regra geral. Um dos noviços pôs-lhe alcunha de urso, que

ficou, mas só entre os noviços, bem entendido. Os frades

professores, esses, apesar do desgosto que o gênio

solitário de frei Simão lhes inspirava, sentiam por ele certo

respeito e admiração.

Um dia anuncia-se que frei Simão adoecera

gravemente. Chamaram-se os socorros e prestaram ao

enfermo todos os cuidados necessários. A moléstia era

mortal; depois de cinco dias frei Simão expirou.

Durante estes cinco dias de moléstia, a cela de frei

Simão esteve cheia de frades. Frei Simão não disse uma

palavra durante esses cinco dias; só no último, quando se

aproximava do minuto fatal, sentou-se no leito, fez

chamar-se mais perto o abade, e disse-lhe ao ouvido com

voz sufocada e em tom estranho:

— Morro odiando a humanidade!

O abade recuou até a parede ao ouvir estas

palavras, e no tom em que foram ditas. Quanto a frei

Simão, caiu sobre o travesseiro e passou à eternidade.

Depois de feitas ao irmão finado as honras que lhe

deviam, a comunidade perguntou ao seu chefe que

palavras ouvira tão sinistras que o assustaram. O abade

referiu-as persignando-se. Mas os frades não viram nessas

palavras senão um segredo do passado, sem dúvida

importante, mas não tal que pudesse lançar o terror no

espírito do abade. Este explicou-lhes a ideia que tivera

quando ouviu as palavras de frei Simão, no tom em que

foram ditas, e acompanhadas do olhar com que o

fulminou: acreditara que frei Simão tivesse doudo; mais

ainda, que tivesse entrado já doudo para a ordem. Os

hábitos da solidão e da taciturnidade a que se voltara o

frade pareciam sintomas de uma alienação mental de

caráter brando e pacífico; mas durante oito anos parecia

impossível aos frades que frei Simão não tivesse um dia

revelado de modo positivo a sua loucura; objetaram isso

ao abade, mas este persistia na sua crença.

 

 

 

Machado de Assis. Frei Simão. In: Contos Fluminenses.Rio de Janeiro: Globo, 1997.

 

A respeito do período: “Chamaram-se os socorros e prestaram ao enfermo os cuidados necessários” (linhas 21 e 22), assinale a alternativa correta

#36705
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(1,0)

Frei Simão era um frade da ordem dos Beneditinos.

Tinha, quando morreu, cinquenta anos em aparência, mas

na realidade trinta e oito. A causa dessa velhice prematura

derivava da que o levou ao claustro na idade de trinta

anos, e, tanto quanto se pode saber por uns fragmentos de

memórias que ele deixou, a causa era justa.

Era frei Simão de caráter taciturno e desconfiado.

Passava dias inteiros na sua cela, donde apenas saía na

hora do refeitório e dos ofícios divinos. Não contava

amizade alguma no convento, porque não era possível

entreter com ele os preliminares que fundam e consolidam

as afeições.

Em um convento, onde a comunhão das almas deve

ser mais pronta e mais profunda, frei Simão parecia fugir à

regra geral. Um dos noviços pôs-lhe alcunha de urso, que

ficou, mas só entre os noviços, bem entendido. Os frades

professores, esses, apesar do desgosto que o gênio

solitário de frei Simão lhes inspirava, sentiam por ele certo

respeito e admiração.

Um dia anuncia-se que frei Simão adoecera

gravemente. Chamaram-se os socorros e prestaram ao

enfermo todos os cuidados necessários. A moléstia era

mortal; depois de cinco dias frei Simão expirou.

Durante estes cinco dias de moléstia, a cela de frei

Simão esteve cheia de frades. Frei Simão não disse uma

palavra durante esses cinco dias; só no último, quando se

aproximava do minuto fatal, sentou-se no leito, fez

chamar-se mais perto o abade, e disse-lhe ao ouvido com

voz sufocada e em tom estranho:

— Morro odiando a humanidade!

O abade recuou até a parede ao ouvir estas

palavras, e no tom em que foram ditas. Quanto a frei

Simão, caiu sobre o travesseiro e passou à eternidade.

Depois de feitas ao irmão finado as honras que lhe

deviam, a comunidade perguntou ao seu chefe que

palavras ouvira tão sinistras que o assustaram. O abade

referiu-as persignando-se. Mas os frades não viram nessas

palavras senão um segredo do passado, sem dúvida

importante, mas não tal que pudesse lançar o terror no

espírito do abade. Este explicou-lhes a ideia que tivera

quando ouviu as palavras de frei Simão, no tom em que

foram ditas, e acompanhadas do olhar com que o

fulminou: acreditara que frei Simão tivesse doudo; mais

ainda, que tivesse entrado já doudo para a ordem. Os

hábitos da solidão e da taciturnidade a que se voltara o

frade pareciam sintomas de uma alienação mental de

caráter brando e pacífico; mas durante oito anos parecia

impossível aos frades que frei Simão não tivesse um dia

revelado de modo positivo a sua loucura; objetaram isso

ao abade, mas este persistia na sua crença.

 

 

 

Machado de Assis. Frei Simão. In: Contos Fluminenses.Rio de Janeiro: Globo, 1997.

 

No que se refere ao emprego dos pronomes no texto, assinale a alternativa correta.

#36649
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Texto

                                   Gente-casa


        Existe gente-casa e gente-apartamento. Não tem nada a ver com tamanho: há pessoas pequenas que você sabe, só de olhar, que dentro têm dois pisos e escadaria, e pessoas grandes com um interior apertado, sala e quitinete. Também não tem nada a ver com caráter. Gente-casa não é necessariamente melhor do que gente-apartamento. A casa que alguns têm por dentro pode estar abandonada, a pessoa pode ser apenas uma fachada para uma armadilha ou um bordel. Já uma pessoa- apartamento pode ter um interior simples mas bem ajeitado e agradável. É muito melhor conviver com um dois quartos, sala, cozinha e dependências do que com um labirinto.
        Algumas pessoas não são apenas casas. São mansões. Com sótão e porão e tudo que eles, comportam, inclusive baús antigos, fantasmas e alguns ratos. É fascinante quando alguém que você não imaginava ser mais do que um apartamento com, vá lá, uma suíte, de repente se revela um sobrado com pátio interno, adega e solário. É sempre arriscado prejulgar: você pode começar um relacionamento com alguém pensando que é um quarto-e-sala conjugado e se descobrir perdido em corredores escuros, e quando abre a porta, dá no quarto de uma tia louca. Pensando bem, todo mundo tem uma casa por dentro, ou no mínimo, bem lá no fundo, um porão. Ninguém é simples. Tudo, afinal, é só a ponta de um iceberg (salvo ponta de iceberg, que pode ser outra coisa) e muitas vezes quem aparenta ser apenas uma cobertura funcional com qrt. sal. avab. e coz. só está escondendo suas masmorras.

(VERlSSIMO, Luís Fernando.O Melhor das Comédias da Vida Privada. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004)

 

Para construir seu texto, o autor fez uso recorrente de uma importante figura de linguagem. Trata-se da:

#36648
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(1,0)

Texto

                                   Gente-casa


        Existe gente-casa e gente-apartamento. Não tem nada a ver com tamanho: há pessoas pequenas que você sabe, só de olhar, que dentro têm dois pisos e escadaria, e pessoas grandes com um interior apertado, sala e quitinete. Também não tem nada a ver com caráter. Gente-casa não é necessariamente melhor do que gente-apartamento. A casa que alguns têm por dentro pode estar abandonada, a pessoa pode ser apenas uma fachada para uma armadilha ou um bordel. Já uma pessoa- apartamento pode ter um interior simples mas bem ajeitado e agradável. É muito melhor conviver com um dois quartos, sala, cozinha e dependências do que com um labirinto.
        Algumas pessoas não são apenas casas. São mansões. Com sótão e porão e tudo que eles, comportam, inclusive baús antigos, fantasmas e alguns ratos. É fascinante quando alguém que você não imaginava ser mais do que um apartamento com, vá lá, uma suíte, de repente se revela um sobrado com pátio interno, adega e solário. É sempre arriscado prejulgar: você pode começar um relacionamento com alguém pensando que é um quarto-e-sala conjugado e se descobrir perdido em corredores escuros, e quando abre a porta, dá no quarto de uma tia louca. Pensando bem, todo mundo tem uma casa por dentro, ou no mínimo, bem lá no fundo, um porão. Ninguém é simples. Tudo, afinal, é só a ponta de um iceberg (salvo ponta de iceberg, que pode ser outra coisa) e muitas vezes quem aparenta ser apenas uma cobertura funcional com qrt. sal. avab. e coz. só está escondendo suas masmorras.

(VERlSSIMO, Luís Fernando.O Melhor das Comédias da Vida Privada. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004)

 

O autor começa seu texto estabelecendo uma distinção entre dois tipos de pessoas: “gente-casa” e “gente- apartamento”. Sobre tais rótulos, considerando o primeiro parágrafo, é incorreto afirmar que:

#36647
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Prazeres mútuos 

 

                            (Danuza Leão)

         É normal, quando você vê uma criança bonita, dizer “mas que linda”, “que olhos lindos”, ou coisas no gênero. Mas esses elogios, que fazemos tão naturalmente quando se trata de uma criança ou até de um cachorrinho, dificilmente fazemos a um adulto. Isso me ocorreu quando outro dia conheci, no meio de várias pessoas, uma moça que tinha cabelos lindos. Apesar da minha admiração, fiquei calada, mas percebi minha dificuldade, que aliás não é só minha, acho que é geral. Por que eu não conseguia elogiar seus cabelos?
         Fiquei remoendo meus pensamentos (e minha dificuldade), fiz um esforço (que não foi pequeno) e consegui dizer: “que cabelos lindos você tem”. Ela, que estava séria, abriu um grande sorriso, toda feliz, e sem dúvida passou a gostar um pouquinho de mim naquele minuto, mesmo que nunca mais nos vejamos.
         Fiquei pensando: é preciso se exercitar e dizer coisas boas às pessoas, homens e mulheres, quando elas existem. Não sei a quem faz mais bem, se a quem ouve ou a quem diz; mas por que, por que, essa dificuldade? Será falta de generosidade? Inveja? Inibição? Há quanto tempo ninguém diz que você está linda ou que tem olhos lindos, como ouvia quando criança? Nem mesmo quando um homem está paquerando uma mulher ele costuma fazer um elogio, só alguns, mais tarde, num momento de intimidade e quando é uma bobagem, como “você tem um pezinho lindo”. Mas sentar numa mesa para jantar pela primeira vez, só os dois, e dizer, com naturalidade, “que olhos lindos você tem”, é difícil de acontecer.
         Notar alguma coisa de errado é fácil; não se diz a ninguém que ele tem o nariz torto, mas, se for alguém que estiver em outra mesa, o comentário é espontâneo e inevitável. Podemos ouvir que a alça do sutiã está aparecendo ou que o rímel escorreu, mas há quanto tempo você não ouve de um homem que tem braços lindos? A não ser que você seja modelo ou miss - e aí é uma obrigação elogiar todas as partes do seu corpo-, os homens não elogiam mais as mulheres, aliás, ninguém elogia ninguém.
         E é tão bom receber um elogio; o da amiga que diz que você está um arraso já é ótimo, mas, de uma pessoa que você acabou de conhecer e que talvez não veja nunca mais, aquele elogio espontâneo e sincero, é das melhores coisas da vida.
         Fique atenta; quando chegar a um lugar e conhecer pessoas novas, alguma coisa de alguma delas vai chamar a sua atenção e sua tendência será, como sempre, ficar calada. Pois não fique. Faça um pequeno esforço e diga alguma coisa que você notou e gostou; o quanto a achou simpática, como parece tranquila, como seu anel é lindo, qualquer coisa. Todas as pessoas do mundo têm alguma coisa de bom e bonito, nem que seja a expressão do olhar, e ouvir isso, sobretudo de alguém que nunca se viu, é sempre muito bom.
         Existe gente que faz disso uma profissão, e passa a vida elogiando os outros, mas não é delas que estamos falando. Só vale se for de verdade, e se você começar a se exercitar nesse jogo e, com sinceridade, elogiar o que merece ser elogiado, irá espalhando alegrias e prazeres por onde passar, que fatalmente reverterão para você mesma, porque a vida costuma ser assim.
         Apesar de a vida ter me mostrado que nem sempre é assim, continuo acreditando no que aprendi na infância, e isso me faz muito bem.

                                        (disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0611200502.htm

 

No penúltimo parágrafo do texto, ocorre a expressão “com sinceridade”. Sobre ela, só não é correto afirmar que:

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                            (Danuza Leão)

         É normal, quando você vê uma criança bonita, dizer “mas que linda”, “que olhos lindos”, ou coisas no gênero. Mas esses elogios, que fazemos tão naturalmente quando se trata de uma criança ou até de um cachorrinho, dificilmente fazemos a um adulto. Isso me ocorreu quando outro dia conheci, no meio de várias pessoas, uma moça que tinha cabelos lindos. Apesar da minha admiração, fiquei calada, mas percebi minha dificuldade, que aliás não é só minha, acho que é geral. Por que eu não conseguia elogiar seus cabelos?
         Fiquei remoendo meus pensamentos (e minha dificuldade), fiz um esforço (que não foi pequeno) e consegui dizer: “que cabelos lindos você tem”. Ela, que estava séria, abriu um grande sorriso, toda feliz, e sem dúvida passou a gostar um pouquinho de mim naquele minuto, mesmo que nunca mais nos vejamos.
         Fiquei pensando: é preciso se exercitar e dizer coisas boas às pessoas, homens e mulheres, quando elas existem. Não sei a quem faz mais bem, se a quem ouve ou a quem diz; mas por que, por que, essa dificuldade? Será falta de generosidade? Inveja? Inibição? Há quanto tempo ninguém diz que você está linda ou que tem olhos lindos, como ouvia quando criança? Nem mesmo quando um homem está paquerando uma mulher ele costuma fazer um elogio, só alguns, mais tarde, num momento de intimidade e quando é uma bobagem, como “você tem um pezinho lindo”. Mas sentar numa mesa para jantar pela primeira vez, só os dois, e dizer, com naturalidade, “que olhos lindos você tem”, é difícil de acontecer.
         Notar alguma coisa de errado é fácil; não se diz a ninguém que ele tem o nariz torto, mas, se for alguém que estiver em outra mesa, o comentário é espontâneo e inevitável. Podemos ouvir que a alça do sutiã está aparecendo ou que o rímel escorreu, mas há quanto tempo você não ouve de um homem que tem braços lindos? A não ser que você seja modelo ou miss - e aí é uma obrigação elogiar todas as partes do seu corpo-, os homens não elogiam mais as mulheres, aliás, ninguém elogia ninguém.
         E é tão bom receber um elogio; o da amiga que diz que você está um arraso já é ótimo, mas, de uma pessoa que você acabou de conhecer e que talvez não veja nunca mais, aquele elogio espontâneo e sincero, é das melhores coisas da vida.
         Fique atenta; quando chegar a um lugar e conhecer pessoas novas, alguma coisa de alguma delas vai chamar a sua atenção e sua tendência será, como sempre, ficar calada. Pois não fique. Faça um pequeno esforço e diga alguma coisa que você notou e gostou; o quanto a achou simpática, como parece tranquila, como seu anel é lindo, qualquer coisa. Todas as pessoas do mundo têm alguma coisa de bom e bonito, nem que seja a expressão do olhar, e ouvir isso, sobretudo de alguém que nunca se viu, é sempre muito bom.
         Existe gente que faz disso uma profissão, e passa a vida elogiando os outros, mas não é delas que estamos falando. Só vale se for de verdade, e se você começar a se exercitar nesse jogo e, com sinceridade, elogiar o que merece ser elogiado, irá espalhando alegrias e prazeres por onde passar, que fatalmente reverterão para você mesma, porque a vida costuma ser assim.
         Apesar de a vida ter me mostrado que nem sempre é assim, continuo acreditando no que aprendi na infância, e isso me faz muito bem.

                                        (disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0611200502.htm

 

A linguagem cumpre funções que dependem da intenção do emissor e da relação que se pretende estabelecer com o receptor, dentre outros aspectos. No trecho “Faça um pequeno esforço e diga alguma coisa que você notou e gostou;”, percebe-se a seguinte função da linguagem:

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Prazeres mútuos 

 

                            (Danuza Leão)

         É normal, quando você vê uma criança bonita, dizer “mas que linda”, “que olhos lindos”, ou coisas no gênero. Mas esses elogios, que fazemos tão naturalmente quando se trata de uma criança ou até de um cachorrinho, dificilmente fazemos a um adulto. Isso me ocorreu quando outro dia conheci, no meio de várias pessoas, uma moça que tinha cabelos lindos. Apesar da minha admiração, fiquei calada, mas percebi minha dificuldade, que aliás não é só minha, acho que é geral. Por que eu não conseguia elogiar seus cabelos?
         Fiquei remoendo meus pensamentos (e minha dificuldade), fiz um esforço (que não foi pequeno) e consegui dizer: “que cabelos lindos você tem”. Ela, que estava séria, abriu um grande sorriso, toda feliz, e sem dúvida passou a gostar um pouquinho de mim naquele minuto, mesmo que nunca mais nos vejamos.
         Fiquei pensando: é preciso se exercitar e dizer coisas boas às pessoas, homens e mulheres, quando elas existem. Não sei a quem faz mais bem, se a quem ouve ou a quem diz; mas por que, por que, essa dificuldade? Será falta de generosidade? Inveja? Inibição? Há quanto tempo ninguém diz que você está linda ou que tem olhos lindos, como ouvia quando criança? Nem mesmo quando um homem está paquerando uma mulher ele costuma fazer um elogio, só alguns, mais tarde, num momento de intimidade e quando é uma bobagem, como “você tem um pezinho lindo”. Mas sentar numa mesa para jantar pela primeira vez, só os dois, e dizer, com naturalidade, “que olhos lindos você tem”, é difícil de acontecer.
         Notar alguma coisa de errado é fácil; não se diz a ninguém que ele tem o nariz torto, mas, se for alguém que estiver em outra mesa, o comentário é espontâneo e inevitável. Podemos ouvir que a alça do sutiã está aparecendo ou que o rímel escorreu, mas há quanto tempo você não ouve de um homem que tem braços lindos? A não ser que você seja modelo ou miss - e aí é uma obrigação elogiar todas as partes do seu corpo-, os homens não elogiam mais as mulheres, aliás, ninguém elogia ninguém.
         E é tão bom receber um elogio; o da amiga que diz que você está um arraso já é ótimo, mas, de uma pessoa que você acabou de conhecer e que talvez não veja nunca mais, aquele elogio espontâneo e sincero, é das melhores coisas da vida.
         Fique atenta; quando chegar a um lugar e conhecer pessoas novas, alguma coisa de alguma delas vai chamar a sua atenção e sua tendência será, como sempre, ficar calada. Pois não fique. Faça um pequeno esforço e diga alguma coisa que você notou e gostou; o quanto a achou simpática, como parece tranquila, como seu anel é lindo, qualquer coisa. Todas as pessoas do mundo têm alguma coisa de bom e bonito, nem que seja a expressão do olhar, e ouvir isso, sobretudo de alguém que nunca se viu, é sempre muito bom.
         Existe gente que faz disso uma profissão, e passa a vida elogiando os outros, mas não é delas que estamos falando. Só vale se for de verdade, e se você começar a se exercitar nesse jogo e, com sinceridade, elogiar o que merece ser elogiado, irá espalhando alegrias e prazeres por onde passar, que fatalmente reverterão para você mesma, porque a vida costuma ser assim.
         Apesar de a vida ter me mostrado que nem sempre é assim, continuo acreditando no que aprendi na infância, e isso me faz muito bem.

                                        (disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0611200502.htm

 

O modo subjuntivo pode transportar o leitor para uma realidade hipotética. Assinale a opção que apresenta um trecho em que a autora faça uso desse modo verbal.

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                            (Danuza Leão)

         É normal, quando você vê uma criança bonita, dizer “mas que linda”, “que olhos lindos”, ou coisas no gênero. Mas esses elogios, que fazemos tão naturalmente quando se trata de uma criança ou até de um cachorrinho, dificilmente fazemos a um adulto. Isso me ocorreu quando outro dia conheci, no meio de várias pessoas, uma moça que tinha cabelos lindos. Apesar da minha admiração, fiquei calada, mas percebi minha dificuldade, que aliás não é só minha, acho que é geral. Por que eu não conseguia elogiar seus cabelos?
         Fiquei remoendo meus pensamentos (e minha dificuldade), fiz um esforço (que não foi pequeno) e consegui dizer: “que cabelos lindos você tem”. Ela, que estava séria, abriu um grande sorriso, toda feliz, e sem dúvida passou a gostar um pouquinho de mim naquele minuto, mesmo que nunca mais nos vejamos.
         Fiquei pensando: é preciso se exercitar e dizer coisas boas às pessoas, homens e mulheres, quando elas existem. Não sei a quem faz mais bem, se a quem ouve ou a quem diz; mas por que, por que, essa dificuldade? Será falta de generosidade? Inveja? Inibição? Há quanto tempo ninguém diz que você está linda ou que tem olhos lindos, como ouvia quando criança? Nem mesmo quando um homem está paquerando uma mulher ele costuma fazer um elogio, só alguns, mais tarde, num momento de intimidade e quando é uma bobagem, como “você tem um pezinho lindo”. Mas sentar numa mesa para jantar pela primeira vez, só os dois, e dizer, com naturalidade, “que olhos lindos você tem”, é difícil de acontecer.
         Notar alguma coisa de errado é fácil; não se diz a ninguém que ele tem o nariz torto, mas, se for alguém que estiver em outra mesa, o comentário é espontâneo e inevitável. Podemos ouvir que a alça do sutiã está aparecendo ou que o rímel escorreu, mas há quanto tempo você não ouve de um homem que tem braços lindos? A não ser que você seja modelo ou miss - e aí é uma obrigação elogiar todas as partes do seu corpo-, os homens não elogiam mais as mulheres, aliás, ninguém elogia ninguém.
         E é tão bom receber um elogio; o da amiga que diz que você está um arraso já é ótimo, mas, de uma pessoa que você acabou de conhecer e que talvez não veja nunca mais, aquele elogio espontâneo e sincero, é das melhores coisas da vida.
         Fique atenta; quando chegar a um lugar e conhecer pessoas novas, alguma coisa de alguma delas vai chamar a sua atenção e sua tendência será, como sempre, ficar calada. Pois não fique. Faça um pequeno esforço e diga alguma coisa que você notou e gostou; o quanto a achou simpática, como parece tranquila, como seu anel é lindo, qualquer coisa. Todas as pessoas do mundo têm alguma coisa de bom e bonito, nem que seja a expressão do olhar, e ouvir isso, sobretudo de alguém que nunca se viu, é sempre muito bom.
         Existe gente que faz disso uma profissão, e passa a vida elogiando os outros, mas não é delas que estamos falando. Só vale se for de verdade, e se você começar a se exercitar nesse jogo e, com sinceridade, elogiar o que merece ser elogiado, irá espalhando alegrias e prazeres por onde passar, que fatalmente reverterão para você mesma, porque a vida costuma ser assim.
         Apesar de a vida ter me mostrado que nem sempre é assim, continuo acreditando no que aprendi na infância, e isso me faz muito bem.

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Observe o seguinte fragmento do texto:

não se diz a ninguém que ele tem o nariz torto, mas, se for alguém que estiver em outra mesa,”

Para construir sua crítica, a autora utilizou, na primeira oração desse trecho, um tipo específico de voz verbal. Sobre essa voz é correto afirmar que: